Sejam de valência positiva, negativa ou neutra, o certo é que todas as emoções cumprem funções que nos ajudam a sobreviver.

A raiva define-se como um sentimento de protesto, insegurança, timidez ou
frustração, contra alguém ou alguma coisa, que se exterioriza quando o ego se sente ferido ou ameaçado.

Embora a maneira mais instintiva de expressar raiva seja através de respostas agressivas e de cerrar punhos e dentes, este sentimento pode ser expressado de várias formas e saber identificar os sinais é o primeiro passo para melhor lidar com eles.

> Sinais directos da Raiva: aumento do volume da voz, dores de cabeça, dores de estômago, aperto na garganta, aumento do ritmo cardíaco, aumento da pressão sanguínea, punhos cerrados, ameaças, violência, pressão, hostilidade, fúria, ressentimento.

> Sinais indirectos da Raiva: excesso de sono, fadiga crónica, ansiedade, entorpecimento, depressão, aborrecimento, perda de apetite, crítica, abuso de álcool/drogas.

Existem muitos processos, uns mais conscientes que outros, para lidar com este tipo de sentimentos de modo adequado. Resumo em três grandes formas:

> Expressar os sentimentos de modo assertivo (e não agressivo!). Ou seja, apresentar as nossas necessidades com respeito ao próprio e ao outro.

> Suprimir os sentimentos. Isto acontece quando se retem a raiva e se deixa de pensar nela. O objectivo é inibir a raiva e convertê-la em comportamentos construtivos. Aqui o perigo é não permitir a expressão externa da raiva, o que pode causar doenças do foro físico como hipertensão e depressões.

> Acalmar. Isto implica controlar a expressão do comportamento e
também as respostas internas.

As pessoas que têm mais incapacidade para lidar com o sentimento de raiva, de qualquer uma das formas acima apresentadas, são naturalmente pessoas com poucos relacionamentos satisfatórios.

Mas atenção que este processo não se deve constituir como desculpa para “pôr tudo cá para fora”. Algumas pessoas podem usar estas ideias como “desculpa” para afectar os outros e isso pode ser bastante prejudicial.

Estudos demonstram que esta “explosão” pode dar origem a ainda mais agressividade e raiva, para além de não ajudar a resolver a situação.
O trabalho que deve ser feito é o de identificar as razões que despoletam a raiva e, posteriormente, desenvolver estratégias que impeçam a escalada dos sentimentos e as “explosões”.

É muito importante aprender a lidar com ambos os sintomas, físicos e psicológicos.
Aprender a relaxar ajuda a melhor controlarmos os sinais físicos da raiva.
O conselho mais comum quando estamos perante alguém com raiva/muito zangado é “tem calma” ou “relaxa”.
Estes inputs pretendem responder aos sintomas físicos da emoção, os quais geram tensão no corpo ao ponto de parecer que está prestes a explodir.

> Respiração Profunda – envolve a área do estômago ou diafragma e não o peito. É rítmica e lenta.
> Relaxamento Muscular – contracção e relaxamento sistemático
dos principais grupos musculares do corpo.
> Meditação

Por fim, mas não menos importante, temos o trabalho psicoterapêutico que nos ensina a lidar com os sintomas psicológicos da raiva.
Se os episódios forem recorrentes, é essencial encontrar alguém que nos ajude a sentir mais controlado/a, ajudando a prevenir que situação perigosas ou prejudiciais ocorram. O terapeuta ajuda-nos também a sentirmo-nos melhores connosco próprios e a melhorarmos as nossas competências comunicativas e de relacionamento com os outros.