Nem sempre é fácil distinguir o tipo de afecto que nos une ao ser amado.
Aqui ficam algumas dicas para ajudar a perceber se aquilo que sentimos é Amor ou, pelo contrário, é apego.

A primeira diferença é que o Amor não retira nada, apenas acrescenta. O apego, por outro lado, retira muito e acrescenta praticamente nada.
Outra grande diferença está entre “Gosto de ti e quero que sejas feliz, ainda que que não estejamos juntos” e “Gosto de ti, mas sem ti não vivo, és meu e quero que me faças feliz”.

Os relacionamentos baseados no Amor, alimentam-se da confiança recíproca e da liberdade de cada um ser o que é e não aquilo que o outro gostaria que fosse. Desta forma, o próprio crescimento individual, vai enriquecendo a relação. Eu sou eu, tu és tu, e o nosso Nós (a relação propriamente dita) resulta de uma escolha livre, sem limitações recíprocas, cheia de respeito e carinho. O outro não é responsável por me fazer feliz, porque essa responsabilidade é unicamente minha e vice-versa. A verdade, é que somos profundamente felizes quando estamos juntos. E quando não estamos, também.
Já o apego, tantas vezes disfarçado de amor infinito, baseia-se no medo de perder o outro… E como tenho medo de perder o outro, controlo e desconfio. E se desconfio e controlo, começo a limitar e a limitar-me e, logo, a impedir que a relação se desenvolva de forma saudável e harmoniosa. Os relacionamentos baseados no apego, acabam por ser pouco satisfatórios e, geralmente, tóxicos: os elementos do casal entram muitas vezes num circuito fechado de dependência e co-dependência e numa montanha russa de emoções, alternando entre expectativas elevadas sobre o comportamento do outro e momentos de profunda decepção, quando o outro frustra essas mesmas expectativas. A “culpa” é sempre do outro.

No Amor, o outro é um companheiro de inúmeras viagens. Umas vezes viajamos juntos e é formidável. Outras, um fica e o outro vai, mas sabemos que, no final da viagem, ambos vamos ter muito que contar, muitas experiências para partilhar e a nossa relação tornar-se-á mais rica, mais divertida e mais sólida.
No apego, não podemos fazer nada um sem o outro. O que eu vejo é o que tu vês, porque não podes ver nada que eu não veja também… Não vá o diabo tecê-las e eu perder-te. E a relação sufoca.

No Amor, eu escolho cuidar de ti e apoiar-te sempre que me for possível.
No apego, vivo para cuidar de ti e tu vives para cuidar de mim, ainda que para isso tenhamos que abdicar da família, dos amigos, do trabalho, dos sonhos, do vestido mais decotado, do serão de parvoíces com o melhor amigo.

No Amor, expresso as minhas necessidades e logo vês se podes ou não vir ao meu encontro e satisfazê-las.
No apego, exijo que satisfaças as minhas necessidades, porque és tu o responsável por me fazeres feliz.

No Amor, estou contigo porque escolho estar.
No apego, estou contigo porque não sei estar sem ti.

“Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar.”
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