A casa é, muitas vezes, o palco de graves violações dos direitos fundamentais.
Nestes tempos de confinamento, em que as famílias estão a ser pressionadas a todos os níveis – psicológico, económico, social e emocional – é natural que os conflitos se agravem e os casos de violência doméstica tendam a aumentar. O isolamento e afastamento social ajudam a que as situações de agressão estejam ainda mais “escondidas” e o controlo que os agressores exercem sobre as vítimas seja facilitado.
Para todas as vítimas de agressão, torna-se mais difícil o pedido de ajuda porque têm a sua liberdade de movimentos ainda mais restringida e muito dificultada a possibilidade de revelar a sua situação a familiares, amigos ou professores. Sobretudo as crianças, ainda que sejam unicamente testemunhas de agressões, ficam perigosamente isoladas e são igualmente vítimas de maus tratos e violência.
Nestas situações, agravam-se os quadros de ansiedade, depressão e isolamento destas vítimas silenciosas.
A actual situação de confinamento, pode também levar a que os agressores com dependências de tóxicos, algo muito frequente, desenvolvam um nível muito mais elevado de reactividade e agressividade ao terem menor acesso a essas substâncias.

A violência doméstica passou, e muito bem, a ser um crime público. Significa que todos temos a responsabilidade de denunciar situações de violência. Vamos então reformular os ditados e adequá-los à realidade:

“Entre marido e mulher, se há violência, mete-se a colher, sim!”
“Se me bates é porque não gostas de mim, se me bates já não te quero na minha vida!”

O distanciamento social e o confinamento para evitar a propagação do corona vírus é um desafio para todos, mas muito mais difícil para as famílias com uma história de violência e onde agressores e vítimas estão obrigatoriamente juntos durante as 24 horas do dia.

Existem várias campanhas que apelam à vigilância social, já foram organizados piquetes por distrito e asseguradas camas para acolher adultos e crianças vítimas de violência doméstica.

Aqui ficam alguns meios de apoio à vítima para que possam ter convosco e partilhar com os vossos amigos e familiares.

GOVERNO:
3060 (SMS Gratuito) | violencia.covid@cig.gov.pt
CPCJ (Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens):
www.shorturl.at/hCMP8
APAV:
116 006 (Chamada gratuita | Dias úteis 09h – 21h)