Quando faz uma pergunta, é porque quer mesmo saber algo ou está a a aproveitar a forma interrogativa para veladamente fazer um pedido, acusar, cobrar ou exprimir a sua insatisfação?
Um exemplo: “Porque é estás aí sentado sem fazer nada/agarrado à playstation e eu aqui a trabalhar sem descanso?” O alvo desta pergunta sente-se acusado de preguiça extrema e sem direito a um momento de pastelice (eu sei, esta palavra não existe mas vem mesmo a calhar neste tempo de recolhimento). E, claro, com as suas defesas bem activas, vai ter pouca motivação para colaborar e muita criatividade para contra-argumentar, do género “Não posso ter um minuto de descanso, estás sempre a reclamar, o que é que queres agora?”, e por aí fora…
Experimente este pequeno exercício: e se em vez de fazer esta pergunta – que é, na realidade, uma acusação e uma cobrança – exprimisse aquilo que realmente quer dizer? Um exemplo: “Podes acudir-me? É que estou mesmo a precisar de uma ajuda nesta tarefa.”
Este exemplo, tão básico quanto frequente nas nossas vidas, pode servir de ponto de partida para reflectirmos sobre a forma como comunicamos, qual o verdadeiro objectivo das nossas perguntas e qual a forma como escolhemos exprimir as nossas necessidades.