Era uma vez um beduíno que tinha apenas um camelo.
A sua preocupação era que não lhe faltasse nada, porque, além de ser o seu meio de transporte nas longas travessias pelo deserto, era também a sua única companhia.
Uma certa noite, particularmente gelada, o beduíno montou a sua tenda para abrigar-se e na parte de fora acendeu uma fogueira para que o camelo não sofresse demasiado com o frio que se adivinhava. A meio da noite, o camelo acordou o dono e perguntou-lhe se podia pôr a cabeça dentro da tenda para proteger-se do frio. O beduíno disse que sim.
Passada uma hora o camelo voltou a acordar o beduíno, desta vez para lhe pedir que o deixasse colocar um pouco mais do corpo dentro da tenda porque não estava a suportar o frio. E o beduíno disse que sim.
Passada outra hora e já com o corpo todo dentro da tenda, o camelo acordou o beduíno e disse-lhe: “Não cabemos aqui os dois, estamos muito apertados.” E o beduíno, generoso e demasiado preocupado com o bem-estar do camelo, acabou por sair da tenda e deitar-se ao frio. E, claro, acordou constipado!
Serve este pequeno conto para lembrar a importância de colocar limites. Até que ponto podemos e escolhemos ajudar quem está à nossa volta? Até que ponto posso “perder-me” se não defino os meus limites?